Tomas Tranströmer | Prémio Nobel da Literatura de 2011

O poeta e tradutor sueco Tomas Tranströmer é o Prémio Nobel da Literatura de 2011.

 

O anúncio foi feito hoje (6 de Outubro) pela Academia Sueca que destacou as “imagens condensadas e translúcidas” presentes na obra do mais famoso poeta escandinavo vivo.

A mulher de Tranströmer, que falou em nome dele à imprensa sueca, disse que o poeta não acreditava que pudesse viver para assistir a este grande momento.

A entrega dos Prémio Nobel 2011 está marcada para dia 10 de Dezembro, em Estocolmo.

Tomas Tranströmer, psicólogo de formação, sofreu um acidente vascular cerebral em 1990 e ficou que com parte do corpo paralisada e com a fala afectada. Mas o AVC não o impediu de continuar a escrever. Além disso, Tranströmer faz questão de tocar piano, apenas com uma mão, todos os dias.

A poesia do sueco é conhecida por explorar a relação entre a intimidade e o mundo que nos rodeia.

In http://pt.euronews.net/2011/10/06/transtromer-emocionado-com-o-premio-nobel-da-literatura

Em Portugal, Tomas Tranströmer está representado na coletânea “21 poetas suecos”, editada pela Vega, uma obra organizada por Vasco Graça Moura e Ana Hatherly, em 1981.Um dos poemas desta obra chama-se “Lisboa” , traduzido por Luís Costa.

LISBOA

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!
 
“Mas aqui”, dizia o revisor e ria baixinho, maliciosamente,
“aqui sentam-se os políticos”. Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.
 
A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde, perguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei?
 

O poeta também dedicou uma poesia a Funchal, numa tradução de Luís Costa.

FUNCHAL

 O restaurante do peixe na praia, uma simples barraca, 
construída por náufragos.
Muitos, chegados à porta, voltam para trás, mas não assim 
as rajadas de vento do mar.
Uma sombra encontra-se num cubículo fumarento e assa 
dois peixes, segundo uma antiga
receita da Atlântida. Pequenas explosões de alho.
O óleo flui nas rodelas do tomate. Cada dentada diz-nos que
o oceano nos quer bem,
um zunido das profundezas.
 
Ela e eu: olhamos um para o outro. Assim como se trepássemos 
as agrestes colinas floridas,
sem qualquer cansaço. Encontramo-nos do lado dos animais, 
bem-vindos, não envelhecemos. Mas já suportámos tantas 
coisas juntos, lembramo-nos disso, momentos em que 
de pouco ou nada servíamos (por exemplo, quando esperávamos 
na bicha para doarmos sangue ao saudável gigante –
ele tinha prescrito uma transfusão).
Acontecimentos, que nos poderiam ter separado, se não nos tivessem 
unido, e acontecimentos
que, lado a lado, esquecemos – mas eles não nos esqueceram!
Eles tornaram-se pedras. Pedras claras e escuras. Pedras de 
um mosaico desordenado.
E agora mesmo acontece: os cacos voam todos na mesma direcção, 
o mosaico nasce.
Ele espera por nós. Do cimo da parede, ilumina o quarto de hotel, 
um design, violento e doce,
talvez um rosto, não nos é possível compreender tudo, mesmo 
quando tiramos as roupas.
 
Ao entardecer, saímos.
A poderosa pata azul escura da meia ilha jaz expelida sobre o mar.
Embrenhamo-nos na multidão, somos empurrados, amigavelmente, 
suaves controlos,
todos falam, fervorosos, na língua estranha.
“ Um homem não é uma ilha “
 
Por meio deles fortalecemo-nos, mas também por meio de 
nós mesmos. Por meio daquilo que
existe em nós e que o outro não consegue ver. Aquela coisa 
que só se consegue encontrar
a ela própria. O paradoxo interior, a flor da garagem, a válvula 
contra a boa escuridão.
Uma bebida que borbulha nos copos vazios. Um altifalante 
que propaga o silêncio.
Um atalho que, por detrás de cada passo, cresce e cresce. 
Um livro que só no escuro se consegue ler.
 
in http://sylviabeirute.blogspot.com/2010/10/tomas-transtromer-poemas.html

No início do ano de 2011, o blogue Poesia Ilimitada, publicou quatro poemas do poeta sueco.

Ler in http://linhadeleitura.wordpress.com/2011/10/06/4-poemas-de-tomas-transtromer-premio-nobel-da-literatura-2011/

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