Eu li! | Leitores graúdos!

A partir de hoje, esta rubrica conta igualmente com a opinião dos mais velhos sobre livros, leituras e este contém já um desafio: sendo um romance histórico, quem é que seria quer fazer aqui um comentário sobre a época ou sobre até que ponto se cruzam a ficção e a história?

A autora do comentário que se segue é a nossa professora de Língua Portuguesa – Ana Paula Campos.

Os leitores agradecem!

 

O GUARDIÃO DE LIVROS

No início do século XIX, a corte portuguesa desloca-se para o Brasil, fugindo dos franceses. Algum tempo mais tarde, embarca, com o mesmo destino, a Real Biblioteca Portuguesa, acompanhada por Luís Marrocos, arquivista da referida biblioteca. Homem de caráter recatado, sóbrio e hipocondríaco, sente enormes dificuldades em adaptar-se a um país e a uma sociedade completamente diferentes dos seus, em termos de condições atmosféricas, paisagem, gastronomia e costumes, de forma geral (os brasileiros tomavam banho frequentemente – pasme-se!). Atormentado pelas saudades da família que, a pouco e pouco, se vai distanciando dele, Marrocos vai definhando até conhecer Ana Murça, uma brasileira, filha de um português, que desperta nele o amor, a paixão, o desejo, fazendo-o renascer, curando-lhe doenças e “doenças” e fazendo-o apaixonar-se pelo Rio de Janeiro. Uma criança ilegítima – porque nascida fora do matrimónio e numa época em que os juízos de valor da sociedade se impunham como autoridade quase divina -, vai determinar a ausência da felicidade completa do casal (imperdoável que a autora não nos relate o resto da vida da “órfã”!). Depois de uma carreira reconhecida pelo rei, Marrocos termina a sua vida com a consciência de se ter tornado num homem completamente diferente daquele que tinha chegado ao Brasil algumas décadas antes.

Trata-se de um romance histórico que retrata de forma esclarecedora e estimulante uma época marcante na nossa História e dois espaços completamente díspares. Uma narrativa também cheia de humor e de personagens aliciantes.

Lamenta-se, apenas, os erros que salpicam algumas páginas do livro. É simpático poder ler uma boa história … publicada com rigor linguístico!

    Fica um desafio: tratando-se de um romance histórico, seria interessante ler aqui um comentário de um colega de história ou até um apontamento sobre a época.

Cristina Norton nasceu em Buenos Aires, em 1948, mas vive em Portugal há mais de 30 anos, tendo optado pela nacionalidade portuguesa. Para além do nosso país, também publicou no Brasil e no Chile. Já escreveu poesia, romance e conto. Realiza oficinas de escrita criativa e dá cursos de formação a professores, organizados pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, pela Fundação Calouste Gulbenkian e outras instituições.

Obra: O Afinador de Pianos, O Lázaro do Porto, Os Mecanismos da Escrita Criativa, O Segredo da Bastarda, O Barco de Chocolate, A Casa do Sal.

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