Bom Ano de 2018! | Receita de Ano Novo

RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade

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6 de junho de 2016 | As cores da poesia | Dia da Alice!

A poesia vive em todas as línguas e a sua melodia, às vezes numa língua desconhecida, faz-nos vibrar, sentir o timbre do som essencial e integrador do coração.

Hoje, Dia da Alice, vamos ver e ouvir, em várias línguas, as cores e as vozes da poesia!

A BE agradece a todos quantos participaram neste encontro com a(s) voz(es) da poesia, através de cinco alunos, um deles da Ucrânia, da professora de Espanhol (Salamanca – Espanha), da Sr.ª D. Emília e do Encarregado de Educação – Mr. Stephen Moore, (Manchester – Inglaterra), a divulgação emotiva e generosa de Poesia.

 

Stephen Moore | Encarregado de Educação | Inglaterra

“I” am | Patrick Elly, in “Poetic licence : poemas by writers from the Greater Manchester area”; 1987.

Poetry | Di Willams, in “Poetic licence : poemas by writers from the Greater Manchster area”; 1987.

 

Sr.ª D. Emília | Cozinheira do nosso refeitório

As couves, in “Herbário” de Jorge Sousa Braga

Lourdes González | Professora de Espanhol II

 

Poesia de Taras Shevchenko | Ucrânia

A samambaia, in “Herbário” de Jorge Sousa Braga

O vento, in “Herbário” de Jorge Sousa Braga

As árvores e os livros , in “Herbário” de Jorge Sousa Braga

Amar pelos dois | Salvador Sobral ganhou o Festival da Eurovisão 2017

Muitos parabéns Salvador Sobral e Luísa Sobral, a compositora e irmã – a Arte na melodia, nas palavras… no coração!

Amar pelos dois

Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi p’ra te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada p’ra dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois

Clique sobre a imagem para ver o vídeo!

 

27 de abril, 5 e 8 de maio de 2017 | Encontro com José António Franco

2 de abril de 2017 | Já leste um poema hoje? | A história do i

Revisitamos, no Dia Internacional do Livro Infantil,  um poema de Manuel António Pina.

A história do i

O i, número imaginário
com muita imaginação,
imaginara o cenário
para um filme de ficção.

A história começava
dentro de uma equação
de segundo grau, e o vilão
era uma raiz quadrada.

da fórmula resolvente
que assaltava à mão armada
um pobre x que passava,
roubando-lhe o expoente.

O herói, um matemático,
perseguia-a tenazmente
de equação em equação
até uma de quinto grau.

Aí, a raiz quadrada,
finalmente encurralada,
sem fórmula de esconder-se,
acabava por render-se.

A ideia era excelente,
o final um teorema.
Ficariam certamente
na História do Equacinema.

Mas o público queria
filmes de geometria,
ângulos obtusos, tangências,
estúpidas circunferências…

Por isso o i nunca mais
Se deu a fazer ficção.
Cedeu: «Não gasto imaginação
com números irracionais!»

Manuel António Pina (1943-2012), in “Pequeno livro de desmatemática”

1 de abril | Já leste um poema hoje? | Dose certa

Dose certa

 

Procuro a minha dose.

Quanto sou?

Que espaço ocupo?

Que tempo tomo?

Às vezes, sou demais, quase veneno.

Encho com excessivas palavras.

Melhor fora ser silencioso solvente.

Outras vezes devia ser mais presente.

Mais soluto.

Mais concentrado.

Sou micro -escala quando deveria gritar ao mundo toda a injustiça.

Meu sonho?

Ser tónico, não tóxico.

Procuro a

minha dose,

a dose certa…

 

João Paiva

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27 de março | Já leste um poema hoje? | Porque

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Mar novo”, 1958

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