2 de abril de 2017 | Já leste um poema hoje? | A história do i

Revisitamos, no Dia Internacional do Livro Infantil,  um poema de Manuel António Pina.

A história do i

O i, número imaginário
com muita imaginação,
imaginara o cenário
para um filme de ficção.

A história começava
dentro de uma equação
de segundo grau, e o vilão
era uma raiz quadrada.

da fórmula resolvente
que assaltava à mão armada
um pobre x que passava,
roubando-lhe o expoente.

O herói, um matemático,
perseguia-a tenazmente
de equação em equação
até uma de quinto grau.

Aí, a raiz quadrada,
finalmente encurralada,
sem fórmula de esconder-se,
acabava por render-se.

A ideia era excelente,
o final um teorema.
Ficariam certamente
na História do Equacinema.

Mas o público queria
filmes de geometria,
ângulos obtusos, tangências,
estúpidas circunferências…

Por isso o i nunca mais
Se deu a fazer ficção.
Cedeu: «Não gasto imaginação
com números irracionais!»

Manuel António Pina (1943-2012), in “Pequeno livro de desmatemática”

1 de abril | Já leste um poema hoje? | Dose certa

Dose certa

 

Procuro a minha dose.

Quanto sou?

Que espaço ocupo?

Que tempo tomo?

Às vezes, sou demais, quase veneno.

Encho com excessivas palavras.

Melhor fora ser silencioso solvente.

Outras vezes devia ser mais presente.

Mais soluto.

Mais concentrado.

Sou micro -escala quando deveria gritar ao mundo toda a injustiça.

Meu sonho?

Ser tónico, não tóxico.

Procuro a

minha dose,

a dose certa…

 

João Paiva

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27 de março | Já leste um poema hoje? | Porque

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Mar novo”, 1958

26 de março | Já leste um poema hoje? | Os poetas

Os poetas

Nunca os vistes
Sentados nos cafés que há na cidade,
Um livro aberto sobre a mesa e tristes,
Incógnitos, sem oiro e sem idade?

Com magros dedos, coroando a fronte,
Sugerem o nostálgico sentido
De quem rasgasse um pouco de horizonte
Proibido…
Fingem de reis da Terra e do Oceano
(E filhos são legítimos do vício!)
Tudo o que neles nos pareça humano
É fogo de artifício.

Por vezes, fecham-lhes as portas
— Ódio que a nada se resume —
Voltam, depois, a horas mortas,
Sem um queixume.

E mostram sempre novos laivos
De poesia em seu olhar…

Adolescentes! Afastai-vos
Quando algum deles vos fitar!

Pedro Homem de Mello, O Rapaz da Camisola Verde

25 de março | Já leste um poema hoje? | Urgentemente

Urgentemente

 

É urgente o amor
É urgente um barco no mar

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade, in “Até Amanhã”

 

23 de março | Já leste um poema hoje? | 1.º Ciclo

 

Mais um poema para lermos e fazermos deste dia, mais um dia feliz!

Boas leituras!

a-bailarina[1]

Cecília Meireles, in Ou isto ou aquilo

21 de março | Já leste um poema hoje? | Dia da Árvore, da Floresta e da Poesia | 1.º ciclo

Neste dia tão importante, em que se celebra o Dia Mundial da Poesia, o 3.º B da EB Quinta das Flores, visitou a BE e explorou com a professora bibliotecária a leitura dos poemas do livro “As Fadas Verdes”, elegendo este poema para celebrar também o Dia da Árvore e o Dia Mundial da Floresta!

Vamos todos ler e perceber a sua mensagem?

Boas Leituras!

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Matilde Rosa Araújo, in As Fadas Verdes